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3 de Novembro de 2016

16:00
Changing clothes
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com

Catarina Simão

e

José Capela
Rivoli - Auditório IAC

África continua o continente desconhecido. É pelo menos uma meia verdade, pois é lá – a par com a pobreza e a corrupção e doses desnecessárias de violência e discriminação – que têm surgido formas artísticas e práticas culturais reveladoras de uma dinâmica inspirada, capaz de refletir sobre a sua condição pós-colonial, certa do seu lugar e consciente da sua importância, tanto criativa como política e social, mas aberta à contaminação e ao confronto (que aliás tem acolhido, muitas vezes entre o espanto e o fascínio) como razão da sua emancipação.

É algo que se vê nas referências aos ícones da independência africana e dos direitos cívicos nos Estados Unidos, e também à cultura popular da África Ocidental, que tanto são reencenação da estética de agitação e propaganda, representação de estadistas, músicos, moda ou publicidade eleitoral, como assunção de identidades politicamente subversivas e exploração da sexualidade e do género. E no tumultuoso preto e branco das fotografias de Samuel Fosso (1962, Camarões), autorretratos nos quais produz transformações performativas do seu corpo, que são uma reinvenção biográfica e, de certa maneira mais subjetiva, exercício desconstrutivista da auto-representação africana. É esta África o mote da entrevista a Samuel Fosso com Catarina Simão, artista e investigadora a viver entre Lisboa e Moçambique, que desenvolve um tipo de ensaio-instalação onde reutiliza filmes de arquivo, desenho e fotografia de propaganda, e José Capela, arquiteto, professor, cenógrafo, fundador e diretor artístico da Mala Voadora.