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5 de Novembro de 2015

21:30
O prazer na arte
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com

Julião Sarmento
Rivoli - Grande Auditório MO

Quando Sasha Grey quis fazer acompanhar o mediatismo da sua carreira como atriz de filmes pornográficos com uma caução mais artística, dedicou-se a baralhar as pistas da convenção e chamou a si o controlo não apenas da sua própria imagem mas, sobretudo, do seu discurso. The Girlfriend Experience, filme que protagonizou em 2009, era mais uma auto-ficção do que uma narrativa metafórica assinada por Steven Soderbergh (que precisamente um ano depois de Grey nascer haveria de assinar Sexo, Mentiras e Vídeo, e com isso rasgar as fronteiras entre a intimidade e a ficção).

É sobre isso, sobre as relações entre sexualidade e arte que Sasha Grey conversará com o artista Julião Sarmento. Percebe-se porquê.

O cinema que lhe interessa, por exemplo, vai nesse sentido, construindo-se a partir das relações de poder, da fantasia e do sexo. Sasha Grey cita, sem pudor, 120 dias de Sodoma, de Sade, Thérèse Philosophe, de Jean Baptiste de Boy, e Candide, de Voltaire como a inspiração para o seu livro, Juliette Society, editado em 2013.

Os livros são também o ponto de contacto com Julião Sarmento que Leporello (2010) participa da transformação de Sasha Grey ao reivindicar uma relação de intimidade com a sua própria memória de leitor. As imagens de Grey a ler, transformadas que são por Sarmento, constroem uma outra personalidade – ou uma outra personagem – baralhando, novamente, a fronteira entre a realidade na qual acreditamos e a realidade que estamos a ver.

Com tradução simultânea