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Performance
7 de Novembro de 2015

23:30
Reformulation - performance
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Rivoli - Sub-Palco

Na última década, Florian Hecker tem utilizado as tecnologias digitais sonoras para transformar espaços físicos em lugares de dramatização do processo de escuta. Na sua performance Reformulation (Reformulação) é o próprio processo que se torna audível - a reconstrução (ou alucinação) criada pela mente humana de objectos surgidos de deixas sonoras. A partir de uma pesquisa psicoacústica, Hecker controla e estimula essas deixas, através da limitação dos “objectos sonoros” que tem à sua disposição.

Nesta peça, “é o participante-ouvinte que completa o trabalho”, mas não porque esteja a ser interpelado pelo artista como cobaia. Convidado a trabalhar a matéria bruta apresentada, e fixando assim o seu significado, o ouvinte tem um papel interpretativo que é, em si mesmo, subjacente ao princípio de “liberdade” da arte contemporânea.

Mais do que oferecer uma espúria perspectiva libertadora, Hecker amplifica as limitações do edifício perceptivo do participante-ouvinte. O modo como o sujeito ocupa o espaço e determina a recepção do material que lhe é dado, permite-lhe explorar os seus próprios automatismos perceptivos.

Reformulation promove o encontro entre o som sintético como um material novo, e especificamente como algo imaterial que estabelece ligações entre noções de sintético e puramente mecânico, descrição física do som e a nossa própria experiência de um mundo onde os objectos sonoros são independentes de nós mesmos.

(Robin Mackay)