Image
1 de novembro de 2016

21:30
A vida interior da música
Image
Image

com

Ana Matos Fernandes (Capicua)
Rivoli - Grande Auditório MO

Em primeiro lugar duas canções. Para muitos, decerto, as primeiras que ouvirão de Lonnie Holley (1950, Estados Unidos da América) ao vivo. São temas interpretados por uma voz saída das trevas e o mais das vezes servidos na companhia de efeitos rudimentares do teclado que evoluem sem obedecer a qualquer estrutura tradicional de canção. Canções geralmente rudes que falam da vida. A mesma vida de Laraaji (1943, Estados Unidos da América), embora vivida e artisticamente interpretada de maneira bastante diferente.

Esta é ligação improvável, mas de verdade arte e vida unem-nos. Holley afirma ter sido trocado por uma garrafa de uísque quando tinha quatro anos, e viver pouco acima da miséria até a sua arte, criada a partir de restos e lixo deixado nas ruas, começar a ser conhecida. Laraaji estudou piano, violino, trombone, voz e composição desde pequenino e foi descoberto a tocar no Washington Square Park por um Brian Eno fascinado por aquele misticismo oriental, aquele cadinho melódico surgindo entre a harmonia cósmica de Ambient 3: Day of Radiance.

Cabe a Ana Matos Fernandes (isto é: Capicua, a socióloga, a rapper senhora de uma escrita espontânea e emotiva que não esconde engajamento político nem feminismo) ligar estas personalidades pela forma como elas próprias se ligam ao mundo, sem esquecer a questão racial sempre presente nas sociedades e o papel dessa vaga entidade que é o afro-americanismo como fator identitário.

Tradução simultânea.