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3 de novembro de 2016

21:30
“Ambos”, preferencialmente
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com

Richard Zimler
Rivoli - Grande Auditório MO

How to Be Both, escreveu no The Telegraph Gaby Wood, crítica e diretora da Booker Prize Foundation, é “descaradamente um romance de ideias”, que “sugere que nunca existimos num só tempo nem temos uma identidade fixa”. A referência ao premiado romance de Ali Smith (1962, Reino Unido) é sem dúvida um bom lugar para acostar ao tantas vezes conflituoso papel da literatura na ligação entre história e género. Um debate que se tornou mais estimulante depois de a expressão deixar de ser propriedade quase exclusivamente feminista, com a ascensão dos estudos LGBT e queer a introduzir um conjunto de novos conceitos e uma miríade de ideias capazes de questionar objetivamente o cânone e ampliar o horizonte do debate.

Discussão para que a obra da escritora escocesa – empenhada ativista feminista e dedicada militante anti-discriminação –, vem contribuindo através de personagens que se debatem com profundos conflitos interiores, que amiúde expressam simbolicamente, quando não cruamente, angústias existenciais e identitárias. E que neste debate com o escritor Richard Zimler é ponto de partida para uma reflexão mais ampla, através da literatura e da história e das diferentes definições de género, com uma autora para quem a arte, sendo “o essencial, a única coisa que interessa”, é principalmente “o lugar onde coisas impossíveis de enunciar se tornam compreensíveis e articuladas. O lugar onde todas as coisas podem ser ditas de muitas maneiras”.

Tradução simultânea.